Vídeo do Ciclovida próximo do lançamento

Roda - Ciclovida (da página do projeto)Fiquei muito emocionado ao assistir o trailer do vídeo "Ciclovida – Na estrada rumo a uma nova relação com a terra", que relata a jornada d@s compas Ivânia e Inácio em defesa de um mundo sem o domínio do capital, defendendo e incentivando a preservação e plantação de sementes criolas e o acesso de tod@s camponeses a elas. 

Essa luta travada com amor (e humor, quem conhece o Inácio sabe do que tô falando…) é simplesmente a defesa intransigente da vida, da solidariedade e do direito de sonhar com um futuro onde não sejamos reféns do poder das corporações e possamos vivenciar o apoio mútuo no nosso cotidiano, plantando o necessário pra nossa sobrevivência e gozando de muita arte, carinho e criatividade.

Como eles travam essa luta?! Bem, essa é a parte mais impressionante e gostosa dessa história. Eles realizaram um projeto de viajar de bicicleta do Ceará (onde vivem) até a Argentina, conhecendo espécies locais de plantas comestíveis, compartilhando e enriquecendo um banco de sementes e disseminando a resistência contra a dominação dos senhores da terra, que tanto conhecemos aqui na América Latina.

El@s passaram aqui no DF e em Goiás em 2006. Passamos deliciosos momentos junt@s. Na época, também viajava na trupe a Bartira. Consegui (com muito sacrifício e boas risadas) fazer parte dessa epopéia – fui com el@s de bicicleta de Brasília a Goiânia – bem, na real fomos até Abadiânia, mas aí começou a chover muito e tínhamos um prazo, então o que fizemos? Enfiamos as bicicletas num buzão até Anápolis e de lá em outro até Goiânia. Foi uma experiência marcante e gostosa em minha vida.

Nessa viagem fiz umas filmagens, que até hoje não consegui digitalizar (uma puta pisada de minha parte!) pois utilizei uma câmera Hi8. Uma pena não entrarem no documentário, isso me deixaria muito feliz e satisfeito por fazer parte desta linda história. Mas é isso, a culpa é minha, então não vou ficar de chororô. O que importa é que o filme está ficando do caralho! Segundo o Philipe, amigo e grande apoiador do projeto, o vídeo está pra ser finalizado. 

Abaixo o trailer (que tá muito bacana!): 

 

http://noblogs.org/flash/mp3player/mp3player.swf

"Passe livre todo dia, começando no café, pra transporte pra comida, quantos passes você quer? Meta o chute na catraca ou passe fome e ande a pé.

Passe passe passe livre sem limite fique livre pra passar e ultrapasse o passe livre (2x)

A catraca é como o tempo, que passa e não volta mais, tempo que já nos roubaram, que não nos pertence mais, a indústria da catraca é a gente mesmo que faz.

Passe passe passe livre sem limite fique livre pra passar e ultrapasse o passe livre (2x)

Você passa por catracas, indo e voltando da lida, há catracas na engrenagem, que passam despercebidas, chutar todas as catracas é a única saída.

Passe passe passe livre sem limite fique livre pra passar e ultrapasse o passe livre (2x)

Chute as catracas do banco, e as da tecnologia, chute as catracas do Estado, e as da sua ideologia, chute todas as catracas que estão no seu dia-a-dia.

Passe passe passe livre sem limite fique livre pra passar e ultrapasse o passe livre (2x)

Chute as da consciência, que travam a compreensão, que o sistema nos controla desde passos à direção, ele nos rouba e pagamos na catraca a escravidão.

Passe passe passe livre sem limite fique livre pra passar e ultrapasse o passe livre (2x)

(…)

Chute as catracas do emprego, chute a empresa e o patrão, chute a lei e o parlamento, chute o Estado-Nação, chute o desenvolvimento dessa civilização.

Passe passe passe livre sem limite fique livre pra passar e ultrapasse o passe livre (2x)"

—————————————————————–

Pra baixar todas as músicas, acesse minha conta na Xanta e baixe uma por uma.

Avante Ciclovida!!!

 

Diálogo Interplanetário de Cultura Livre

Divulgando…

26, 27 e 28 de janeiro 2010

FSM Grande Porto Alegre – 10 anos


Acreditamos que a cultura não é simplesmente uma forma de expressão das relações e sentimentos humanos, mas que ela está inserida numa trama social que a transforma num poderoso instrumento político. Justamente por estar inserida nesta trama, com repercussões políticas e sociais, não basta apenas que um produto cultural tenha um conteúdo livre, é preciso que o processo de criação e difusão também seja livre, garantindo a todos condições para criar e acessar esse patrimônio cultural comum. A cultura livre é, portanto, um passo na construção de uma sociedade livre.

Nesta perspectiva, convocamos organizações, coletivos e indivíduos para discutir o projeto da cultura livre que queremos no *Diálogo Interplanetário de Cultura Livre*, que acontecerá durante o *Fórum Social Grande Porto Alegre 10 anos*, na cidade de Canoas, entre os dias 25 e 29 de janeiro de 2010.

Queremos dar início à construção internacional de um espaço autônomo para a discussão de uma cultura contestatória, que abarque aqueles em busca da emancipação e da liberdade na produção cultural com vistas a um Fórum Internacional de Cultura Livre, no segundo semestre de 2010.

O Diálogo Interplanetário de Cultura Livre já conta com articulações em países como Argentina, Uruguai, Paraguai, e Brasil e está aberto a tod@s que quiserem contribuir. Será um espaço autogestionado de debates e produção cultural, com feiras de livros, shows de música independente, debates sobre a propriedade intelectual, produção cultural, transmissões de rádios e TVs comunitárias, oficinas de software livre e muito mais – ou o que aparecer.

Contamos com sua participação e divulgação!

(veja convocatória completa ao final da mensagem)

Programação


26/01 – terça-feira

MANHÃ – Abertura – A cultura como bem comum (conferencia)

Participação: Christophe Aguiton [CONFIRMADO], Anibal Quijano [CONFIRMADO], Enrique Chaparro

Entendemos a cultura não apenas como a forma de expressão das relações e sentimentos humanos, mas também como um poderoso instrumento político. O controle de sua produção e do acesso a ela é elemento essencial para manter a dominação dos povos e a concentração de poder. Reivindicamos uma cultura que não seja apenas gratuita, mas sim genuinamente livre.
Livre das amarras do mercado, das imposições do Estado, das limitações econômicas e dos interesses corporativos. Dessa forma, o direito à cultura leva ao direito à produção, circulação, acesso e sua sustentabilidade. A cultura deve ser assim um patrimônio de toda a humanidade, um bem comum ao qual se pode contribuir e usufruir livremente.

TARDE 1 – Conceito de cultura livre (painel)

Colaboração – Marilina Winik, Sebastian (La Tribu), Mariana Tamari (Epidemia), Sérgio Amadeu

A cultura livre é um conceito muito utilizado nos últimos anos para definir as novas formas de democratização da cultura, principalmente por meio das novas tecnologias. Ela pode se referir apenas ao uso das tecnologias para distribuir bens culturais com licenças "livres" de direito autoral ou pode se referir a novas práticas de produção, distribuição e consumo onde se reduz o papel dos intermediários e se tenta escapar das pressões que o mercado exerce sobre a produção cultural. Que cultura livre queremos?

TARDE 2 – Limitações aos direitos autorais: direitos do público em acessar livremente os bens culturais (painel)

Colaboração – Beatriz Busniche, Guilherme Carboni [CONFIRMADO], José Vaz (MinC) [CONFIRMADO] e Pablo Ortellado

As leis de direito autoral têm evoluido nos últimos trezentos anos no sentido de criar cada vez mais barreiras ao acesso público aos bens culturais. No entanto, a própria legislação prevê exceções e limitações à lei de maneira a permitir usos públicos livres para fins de crítica, ensino, preservação do patrimônio, etc. A atual lei brasileira é uma das piores do mundo no que diz respeito a essas limitações – num estudo comparado de 16 legislações quanto a formas de acesso, é a 3a mais restritiva. Como podemos incluir mais desses direitos públicos de acesso na reforma da lei de direito autoral do Brasil?


27/01 – quarta-feira

MANHÃ –  Painel sobre a "Lei de Meios" da Argentina

Colaboração – Natalia Vinelli – RNMA, AMARC, Coalición de Investigadores

TARDE 1 – Sustentabilidade e novos modelos de negócios: é possível ser um profissional da cultura livre? (painel)

Colaboração – Gustavo Anitelli (Teatro Mágico), Fernanda Azevedo (Lei de fomento) [CONFIRMADO], Allan da Rosa (Edições Toró) [CONFIRMADO], Matías Lennie (Plataforma de música colaborativa Red Panal)

Os maiores entraves ao desenvolvimento da cultura livre são provavelmente as dificuldades econômicas que os produtores culturais encontram para permitir o livre acesso a suas obras e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade da sua atividade profissional. Se os produtores abrem mão das receitas do direito autoral, como fazem para sustentar sua atividade? Afinal, o direito autoral já foi em algum momento relevante? E como será no futuro? De que maneira podemos criar formas de sustentabilidade que sejam emancipatórias e que se diferenciem daquelas que já estão sendo experimentadas pela indústria cultural?


TARDE 2 – Troca de experiências – oficinas com a apresentação de experiências de cultura livre de todo o mundo (5 salas)

Salas temáticas – Livros, musica, vídeo, software e comunicação

Apropriação das novas tecnologias para produção de conhecimento e informação e consequente ampliação da comunicação, ciberativismo, midialivrismo, copyright X cultura livre, superacação da propriedade intelectual são questões fundamentais para o processo de um outro mundo possível. Diante disso, faz-se necessário conhecermos as já existentes experiências de cultura livre no mundo. Esse é um espaço de intercâmbio e articulação entre essas experiências.

28/01 – quinta-feira

TARDE 1 – Reunião organizativa do Forum Interplanetario de Cultura Livre 2010 (reunião de grupo de trabalho)

Nesta reunião, se encontrarão os grupos de cultura livre interessados na organização do Fórum Interplanetário de Cultura Livre que deve acontecer em São Paulo no segundo semestre de 2010.

_*Contato e informações*_

Para participar da articulação desta iniciativa e receber informações do processo, junte-se à nossa lista de discussão:

Lista de e-mails: culturalivre

Convocatória

Diálogo Interplanetário de Cultura Livre / FSM Grande Porto alegre 2010

Que cultura queremos?

Entendemos a cultura não apenas como a forma de expressão das relações e sentimentos humanos, mas também como um poderoso instrumento político. O controle de sua produção e do acesso a ela é elemento essencial para manter a dominação dos povos e a concentração de poder. A cultura restrita e limitada pela lógica mercantil entope de resignação as veias pelas quais corre a criatividade humana e bloqueia as possibilidades de produção diversa e abrangente que o desenvolvimento cultural livre exige. A cultura genuinamente livre depende de autonomia, acesso universal e livre manifestação. Não pode ser determinada por direcionamentos e restrições mercantis, e deve garantir a sobrevivência justa e solidária do autor.

Mas, justamente por suas características políticas e sociais, não basta que apenas o produto cultural tenha essas características. É necessário que todo o processo de criação e difusão seja livre, garantindo aos sujeitos sociais condições suficientes para criar e acessar todos os bens culturais. A cultura livre é, portanto, um passo na construção de uma sociedade livre.

Assim, é preciso distinguir. Reivindicamos uma cultura que não seja apenas gratuita, mas sim genuinamente livre. Livre das amarras do mercado, das imposições do Estado, das limitações econômicas e dos interesses corporativos. Não queremos uma produção cultural que sirva aos ‘novos modelos de negócios’ das grandes empresas, nos quais as liberdades de acesso aos bens são mantidas mas o circuito de produção mercantil se recompõe. A cultura livre deve, por um lado, garantir a diversidade sem se submeter à lógica da indústria cultural e, por outro, garantir o acesso livre, gratuito e não mercantil aos bens culturais.

Ao mesmo tempo, é essencial pensar a sustentabilidade e a construção dos criador@s livres dessa cultura, mesmo dentro dos limites do atual sistema econômico. Precisamos, para começar, combater o jabá e pensar um mercado baseado nos verdadeiros princípios da economia solidária, buscando a autogestão e a diversificação do acesso da população à cultura de qualidade.

Devemos questionar os modelos de publicidade e das concessões dos meios de comunicação, que produzem falsos desejos e uma cultura fútil, que promove apenas os artistas que se submetem à lógica da indústria.

Por isso, precisamos fortalecer um movimento de cultura livre que seja contra esse atual modelo, que seja autônomo, genuíno e intimamente ligado às questões políticas e às relações sociais e humanas. Queremos uma cultura livre que seja, também, conhecimento livre. Ela deve incorporar a luta pela livre determinação dos povos originários, de suas culturas e costumes. Deve lutar pelo fim das patentes, pelo acesso universal à saúde e à educação e pela proteção de todas as formas de vida.

A hora é agora

Vivemos um momento de definição do que é o acesso e a produção da cultura. As novas tecnologias, por um lado, permitem a democratização da produção e acesso à comunicação, cultura e conhecimento, mas, por outro lado, há também um processo de institucionalização e de cercamento legal que está travando essa democratização ou a recolocando no circuito de produção mercantil. As leis internacionais e nacionais que regulamentam o tráfego de informações são cada vez mais rígidas e engessam, assim, as possibilidades criativas que tinham sido abertas.

Sob essa perspectiva, convocamos organizações, coletivos e indivíduos para discutir o projeto da cultura livre que queremos no *Diálogo Interplanetário de Cultura Livre*, que acontecerá durante o Fórum Social Grande Porto Alegre 10 anos, na cidade de Canoas, entre os dias 25 e 29 de janeiro de 2010.

Queremos dar início à construção internacional de um espaço autônomo para a discussão de uma cultura contestátoria, que abarque aqueles em busca da emancipação e da liberdade na produção cultural e que tenha vistas a um Fórum Internacional de Cultura Livre, no segundo semestre de 2010.

O Diálogo Interplanetário de Cultura Livre já conta com articulações em países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Brasil e está aberto a tod@s que quiserem contribuir. Será um espaço autogestionado de debates e produção cultural, com feiras de livros, shows de música independente, debates sobre a propriedade intelectual, produção cultural, transmissões
de rádios e TVs comunitárias, oficinas de software livre e muito mais – ou o que aparecer.

Tortura – Carta de Sílvio Tendler a Nelson Jobim

 

Latuff - Ditadura

 
Imagem de Latuff publicada no CMI Brasil

 

Texto originalmente publicado na Carta Maior.

O cineasta Silvio Tendler enviou carta ao ministro
da Defesa, Nelson Jobim, defendendo que os envolvidos em crimes de
tortura em nome do Estado Brasileiro devem ser julgados e punidos por
seus atos. Tendler critica a posição do ministro, contrária à punição
aos torturadores. "Este gesto, na prática, resulta em dar proteção a
bandidos que desonraram a farda que vestiam ao torturar, estuprar,
roubar, enriquecer ilicitamente sempre agindo em nome das instituições
que juraram defender. É incompreensível que o nosso futuro democrático
seja posto em risco para acobertar crimes praticados por bandidos",
escreve o cineasta.

Carta encaminhada pelo cineasta Silvio Tendler ao ministro da Defesa, Nelson Jobim:

Ao Ministro da Defesa Exmo. Dr. Nelson Jobim

Invado
sua caixa de mensagem pedindo atenção para um tema que trata do futuro,
não do passado. O Sr. me conhece pessoalmente e lembra-se de que quando
fui Secretário de Cultura de Brasília, no ano de 1996, o Sr. era
Ministro da Justiça e instituiu e deu no Festival de Cinema Brasília um
prêmio para o filme que melhor abordasse a questão dos Direitos
Humanos. Era uma preocupação comum a nossa.

Por que me dirijo agora ao senhor? Um punhado de cidadãos -̶ hoje somos mais de dez mil -̶ assinamos um manifesto afirmando que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado Brasileiro devem ser julgados
e punidos por seus atos, contrários aos mais elementares sentimentos da
nacionalidade. Agimos em nome da intransigente defesa dos direitos
humanos. O Sr., Ministro da Defesa, homem comprometido com a ordem
democrática, eminente advogado constitucionalista, um dos redatores e
subscritores da Constituição de 1988, hoje em ação concertada com os
comandantes das forças armadas, condena a iniciativa de punir
torturadores pelos crimes que cometeram.

Leia o texto todo na página da Carta Maior.

Novo Recorde Mundial do Pi – Linux!!!

Pi - WikipediaComeçamos 2010 com uma grande notícia – Temos um novo recorde do
grandioso número Pi (π). Essa é sem sombra de dúvida uma notícia
maravilhosa, afinal, há séculos a humanidade vem buscando aprofundar o
conhecimento e expandir a elasticidade desta constante matemática. A
notícia correu o mundo como uma flecha nesses nossos tempos de
comunicação instantânea em rede.

Agora o que me levou a escrever
este artigo não é simplesmente o fato de termos (tô me incluindo aí
enquanto humanidade né) engrandecido esse valor numérico e sim o
acontecimento de como se chegou a esse número e por quem.

Resolvi que temos que politizar a parada!

Bem, o cara do feito é Fabrice Bellard, um programador francês fundador dentre outras histórias do FFMPEG
– programa de código aberto que grava, converte e cria stream de áudio
e vídeo em diversos formatos. É uma pessoa envolvida com a história de
desenvolvimento em Software Livre.

O feito – alcançar o número expressivo de 2,7 trilhões de dígitos para o Pi, publicado na própria página do Bellard, mostra que todo o cáculo foi feito utilizando uma distribuição de Linux:

"The Linux Operating System was used with the 64 bit Red Hat Fedora 10
distribution. The 7.5 TB disk storage was managed using software
RAID-0 and the ext4 filesystem."

Minha tradução livre: "O Sistema Operacional Linux foi usado com a distribuição 64 bit Red Hat Fedora 10. O disco de armazenamento (HD) de 7.5TB foi manejado usando software RAID-0 e sistema de arquivos ext4."  


o hardware utilizado foi uma máquina "normal" desktop com um custo
inferior a 2 mil euros, o que em comparação aos antigos recordes (desde
1995 eram obtidos com supercomputadores multimilhonários) é uma
bagatela sem noção.

Hardware utilizado:

  • Core i7 CPU – 2.93 GHz;
  • 6 GB de RAM;
  • 7.5 TB de espaço para armazenamento, usando 5 HDs de 1.5 TB (Seagate
    Barracuda 7200.11 model);

O recorde anterior era de Daisuke Takahashi, anunciado em agosto de 2009.

Tux - LinuxPosso
até estar delirando mas sinto esse acontecimento como um gol marcado
pelo meu time, e um daqueles golaços. Pô, só de entrar na página do
cara e ver lá um bannerzinho do Linux e outro contrário às ePatents me
dá uma sensação de alívio e estímulo a continuar, pensando que podemos
contar com mentes brilhantes e dedicadas do nosso lado, e que as
armas/ferramentas que estão ao nosso alcance podem ser potencializadas
quase ao infinito (ou ao próximo número de Pi…) por nossa
criatividade e colaboração.

Se quiser curtir um pouco os resultados, dá uma sacada aí: Alguns dígitos de Pi na base 10.

Parabéns Bellard! Parabéns Comunidade Linux do mundo todo!

 

Entrevista com García Linera – Excelente análise!

Aqui republico uma excelente entrevista com Álvaro García Linera,
vice-presidente da Bolívia, realizada pelo Brasil de Fato.

Dignidade Indígena! - Foto de Tatiana ScarteziniLinera carrega em sua análise e discurso uma sobriedade admirável, sem com
isso perder a força e o vigor revolucionário de suas propostas. É certo que não
pactuo plenamente com sua metodologia de conquista das estruturas de Estado
para realizar as transformações a partir desta posição, o que não me
inviabiliza dedicar uma respeitosa atenção às suas propostas e avanços (claro
que não é só dele, mas no caso me refiro especificamente pelo contexto da
entrevista).

Em minha última ida à Bolívia, que ocorreu no início de 2009, quando se
realizava o plebiscito da Nova Constituição, senti de perto a força da
transformação cultural que aqueles povos andinos estão vivenciando. Entra em
cena, após séculos de um sádico e cruel colonialismo branco-europeu, a
dignidade enquanto prática política cotidiana e transformadora.

Diz-se que a Bolívia era um país que tinha vergonha de olhar no espelho,
pois sua base estrutural cultural era de origem branca aristocrática e a imensa
maioria da população de origem indígena. Nessa gritante contradição se
desenvolveu uma auto-repressão e a retração da auto-estima de povos que eram
nitidamente superiores numericamente mas que pela condição
sócio-política-cultural reproduziam e anseavam serem absorvidos por esta
cultura que no fundo os desprezava. O Quéchua e o Aymara, linguas
preponderantes do altiplano andino boliviano, eram proibidos dentro até dos
Micro-ônibus (muito comuns nas cidades bolivianas), mais por vergonha e estigma
que por decreto.

Desse ponto até uma situação em que uma criança de oito anos, de origem
indígena, diz que seu plano de vida é ser presidente do país como o também
indígena Evo Morales, é um salto quantitativo e qualitativo considerável.

Isso é só um exemplo de como o processo boliviano é complexo e de como a
transformação cultural e a reafirmação das identidades indígenas foram
essenciais dentro do que ocorreu e continua ocorrendo naquele país. Uma simples
conquista do poder do Estado sem estes processos no percurso representaria
apenas uma reedição do "mais-do-mesmo político revolucionário" que a
esquerda tradicional acabou presa voluntariamente.     

Em resumo, me limitando a eleger um processo Macro vinculado a bases
estruturais sólidas e que realmente apresente um caráter transformador, mesmo
vinculado a estruturas de poder estatal e algumas contradições profundas (mais
normal do que desejam os puristas), apresentaria o que ocorre na Bolívia como o
que se aproxima mais do que é anunciado como o socialismo do século XXI. 

Boa leitura e nenhum passo atrás!


 
"Precisamos de uma Internacional
de Movimentos Sociais"

Em entrevista ao jornal Brasil
de Fato
, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, cobra
mais iniciativa dos movimentos sociais latino-americanos, pede visão
“continentalizada” da esquerda no continente. "Antes, a esquerda
tinha um olhar sobre o continente em termos da conspiração revolucionária.
Nunca em termos de economia, de comércio, de criar um mercado comum,
uma defesa comum. É uma série de desafios sobre os quais ela nunca
tinha refletido, que tem a ver com o exercício de governo, com sua
maturidade de reflexão", diz Linera.

Elena Apilánez e Vinicius
Mansur – de La Paz, para o Brasil de Fato

 

Encontro na Bolívia

ÁLVARO GARCÍA LINERA não
é um vice qualquer. Além de acumular o posto de presidente do Congresso
boliviano, ele é um dos principais responsáveis pelas articulações
políticas do governo de Evo Morales e talvez o mais destacado teórico
do processo pelo qual passa a Bolívia atualmente. Sua larga bagagem
política e intelectual, além de o credenciar a receber títulos como
o “vice-presidente mais atuante do continente” ou o “intelectual
mais importante da América Latina na atualidade”, também o capacita
para dar largas e aprofundadas respostas, fazendo com que nossa entrevista
não chegasse nem à metade das perguntas preparadas. 
 
Em meio à atribulada agenda de um vice-presidente e candidato à reeleição
em campanha, Álvaro García concedeu ao Brasil
de Fato duas rápidas
horas de uma conversa pouco factual e mais analítica sobre o processo
político que vive a América Latina, em geral, e a Bolívia, em particular. 
 
Brasil de Fato – Um olhar sobre a história política latinoamericana
indica que, de certa forma, ela se move por ondas. O senhor acha que
essa ascensão recente de governos oriundos de organizações com trajetórias
de esquerda configura uma nova onda? 
 
Álvaro García Linera – Creio que este é um ciclo muito novo
e inovador sem comparação nos últimos 100 anos da história política
latino-americana. A única coisa comum no século 20 foram as ditaduras
militares. Fora disso, a esquerda teve presença descompassada na região.
Processo parecido foi a onda de luta armada, mas não era presença
vitoriosa de esquerda; era combativa, resistente, por parte da ala mais
radicalizada. A vitória em Cuba trouxe uma leva guerrilheira, que nos
anos de 1960 estava em todo o continente. Quando a esquerda armada triunfa
na Nicarágua, o continente já tinha outros ritmos, outras rotas. Então,
pela primeira vez em 100 anos há uma sintonia territorial da esquerda,
com governos progressistas e revolucionários. A direita já tinha essa
habilidade de “continentalizar” suas ações.  
 
Quais elementos dão unidade a essa sintonia? 
 
O que permitiu a leva de governos progressistas foi o ciclo neoliberal.
Ciclo que, mais ou menos, golpeou todos os países de maneira quase
simultânea em seus efeitos e defeitos. O atual processo é muito inovador
por seu caráter “continentalizado” de esquerda, pela busca de políticas
pós-neoliberais – umas mais radicais, outras menos –, por ser um
ascenso da esquerda através da via democrática-eleitoral, por ser
a primeira vez que ela projeta estratégias de caráter estrutural coordenadas
em nível continental. Antes, a esquerda tinha um olhar sobre o continente
em termos da conspiração revolucionária. Nunca em termos de economia,
de comércio, de criar um mercado comum, uma defesa comum. É uma série
de desafios sobre os quais ela nunca tinha refletido, que tem a ver
com o exercício de governo, com sua maturidade de reflexão. 
 
E também é inovador porque isso se faz sem um pensamento único de
esquerda. Não há um referente comum como a URSS, por sorte; não está
a China, melhor ainda. O processo de esquerda são muitas coisas agora.
Pode ser marxista ultrarradical, pode ser socialista, pode ser vinculado
ao pós-modernismo intelectual, pode ser mais nacionalista… e todos
são esquerda. Isso é muito rico, permite uma pluralidade de reflexões,
de discursos, de ideias. Não há o modelo a imitar ou uma “igreja”
que dita o bom comportamento, como ditava antes. É um momento de reconstrução
plural do pensamento de esquerda, ainda primitivo. Mas temos que ver
a história em processos que podem durar 50, 80 anos. Não nos desesperemos
por não ter as coisas consolidadas agora, por não termos com claridade
um grande programa de esquerda continental e mundial. Isso vai demorar
20 anos pelo menos, depois de várias derrotas, de várias vitórias
e outras derrotas. 
 
Este é um momento germinal e ainda há pedaços do continente que estão
em outro rumo. Isso é normal, inclusive, é possível prever a curto
prazo uma volta parcial do pensamento e dos governos de direita em alguns
países no continente e não vamos nos assustar. Lutemos contra isso,
mas este é um processo longo e lento, vai requerer ainda várias levas
de ascenso social e popular que permitam despertar toda a potência
desse momento histórico, que ainda não se fez visibilizar totalmente.
Ainda faltam novas ondas. Não esqueça que Marx usava o conceito de
revolução por ondas. Elas vão e voltam, logo vêm de novo e regressam
um pouco. A onda atual é das primeiras, logo haverá um pequeno refluxo
à espera de uma nova onda que permitirá, a depender dos homens e mulheres
de carne e osso, expandi-la a outros territórios e aprofundar as mudanças
que até agora são superficiais, parcialmente estruturais. 
 
Esse processo coloca a superação do capitalismo em jogo? 
 
Marx dizia que o comunismo é o movimento real, que se desenvolve diante
de nossos olhos e que supera a ordem existente. Não é uma questão
de teoria, de discurso, é questão de realidade. E está claro que
a primeira meta pautada pelas forças populares diversas do continente
foi, em primeiro lugar, frear o esvaziamento social, democrático e
material que caracterizou o processo neoliberal. Esvaziamento material
a partir da exteriorização dos excedentes, esvaziamento social com
a retirada dos direitos conquistados nos últimos 100 anos e esvaziamento
democrático mediante a aterrizagem da doutrina única, liberal e individualista. 
 
O segundo momento é de reconstituir e ampliar direitos da sociedade,
assumir controles do excedente econômico, expandir a geração da riqueza
com sua distribuição. Essas demandas sociais surgem a partir de 1995
e são de caráter democrático-social, no sentido marxista do termo.
Ainda não foram atendidas plenamente, como no tema da terra; entretanto,
elas já abriram espaço para demandas mais radicais, mais comunistas,
que ainda são incipientes, parciais e fragmentadas. Veja a experiência
argentina com a tomada de fábricas, as experiências no Brasil, na
Venezuela, as empresas sociais na Bolívia, criadas no nosso governo, reivindicadas pelo povo, ou a potencialização dada às estruturas
comunitárias, para buscar um desenvolvimento diferente à economia
de escala, com tecnologias alternativas, articulações de produção.
Todas elas avançam, têm a experiência de gestão e regridem. Aqui
na Bolívia, com a questão da água: existia uma experiência falida
[privatização da água em Cochabamba], defende-se a socialização
do controle da água, implanta-se outra gestão e, em seguida, ela retrocede. 
 
Ou seja, essas potencialidades comunistas da sociedade – porque não
há comunismo que não venha da sociedade, não há comunismo de decreto,
não há socialismo de Estado, isso é sem sentido – têm ainda uma
força muito dispersa, uma presença embrionária, não conseguem coagular,
mas estão latentes. Seguindo essa leitura, hoje, em 2009, não estamos
diante de uma perspectiva de superação do capitalismo. Dizer outra
coisa seria nos enganarmos. Mas emergiram ações da sociedade que apontam
para o socialismo, construído pelas próprias classes trabalhadoras.
Existem sinais, sementes, aflorações, mas ainda não constituem a
razão dominante da sociedade. 
 
E quanto isso amadurecerá? 
 
Em dez, 20 anos? Não se pode definir. O que pode fazer o revolucionário
é, a cada sinal de socialismo – como a reapropriação, por parte
dos produtores, de sua própria produção com democratização e socialização
da tomada de decisões –, reforçá-lo para que se expanda. O dever
do comunista é meter-se de cabeça a cada abertura, não inventar o
comunismo. O comunismo é a capacidade real do povo de produzir e se
associar. Eu tenho a leitura de Marx, ao avaliar a Segunda Revolução
Industrial, em 1850, que dizia que serão necessárias dezenas, milhares
de lutas, de fracassos, de pequenas vitórias, depois novamente fracassos,
para que, da própria experiência da classe trabalhadora, surja a necessidade
de associar-se para tomar o controle da produção. E isso é uma visão
muito, mas muito otimista do ciclo que está emergindo. 

 
Que importância tem a Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas)
e a Unasul (União das Nações Sulamericanas) neste cenário latino-americano,
e como o senhor vê os movimentos sociais nesse processo de integração? 

 
A Unasul é um projeto continental, fruto da surpreendente simultaneidade
de governos progressistas em boa parte do continente. Além da luta,
estamos discutindo em termos de estrutura, de matéria, de economia,
de sociedade, de cultura, de legislação… um grande salto. A esquerda
não refletia sobre isso antes e isso é mudar nosso “chip”. Ainda
não se escreveu sobre esse tema que, inevitavelmente, tem que entrar
no discurso de esquerda. Ele segue sendo assunto dos funcionários das
chancelarias tradicionais, mas não é uma construção desses dinossauros.
É uma construção de governantes progressistas que não tem o acompanhamento
do intelecto social progressista, que está aí atônito, vendo, pasmo,
esse novo ciclo. 
 
Tal projeto de integração tem que tomar em conta a unanimidade dos
critérios de cada país, sendo um processo lento, estrutural. A perspectiva
é boa, mas a velocidade é lenta, como tem que ser um bom processo de integração, não há que se desesperar. A União Europeia está
aí há pelo menos 30 anos e ainda está se construindo. Construir Estados-continente
é complexíssimo, mas este é o rumo do mundo no século 21, isso é
o que vai contar no movimento de tomada de decisões econômicas. 
 
E a Alba? 
 
É diferente, porque é uma iniciativa de governos progressistas muito
mais afins, o que permite maior velocidade em relação à Unasul. Tanto
Mercosul como Alba deveriam dissolver-se no interior da Unasul, mas
isso vai demorar décadas. Alba e Mercosul são estruturas de ação
imediata. Vão assumir um conjunto de tarefas mais rapidamente e mais
efetivamente. A Alba está articulando várias coisas ligadas à economia,
usando regras que, pela afinidade política, não podem ser tomadas
em outro cenário, levando adiante articulações e arranjos econômicos
não baseados historicamente em relações de mercado. Ainda muito incipiente,
mas, no caso de Bolívia e Venezuela, há um conjunto de atividades
econômicas que já não
estão necessariamente reguladas pelo mercado. Têm como parâmetro
máximo o mercado, mas tentam construir intercâmbios comerciais a partir
de outros critérios. São esforços audazes de complementaridade,
como acontecem com os setores têxteis, do petróleo e da soja. A Venezuela
tem relações parecidas com Cuba e Nicarágua. 
 
Não é retórica falar de processos crescentes de busca de outros mecanismos
de integração não baseados em regulações de mercado. O recente
passo do Sucre [sistema monetário comum da Alba], como um mecanismo
de pagamentos entre os países, pode ser um novo piso nessa construção
de algo muito novo, que não há em nenhuma outra parte do mundo. Outro
passo são as empresas gran-nacionais, pertencentes aos estados, que
darão um olhar de gestão da economia de maneira regionalizada e unicamente
organizada entre os países. Creio que a Bolívia vai dar esse primeiro
passo da empresa gran-nacional com a Venezuela em um prazo muito curto.
As condições materiais estão dadas. 
 
E qual papel jogam os movimentos sociais nesse processo de integração? 
 
Creio que a articulação deles em nível continental e sua participação
nesses processos de integração é ainda muito incipiente. O neoliberalismo
fragmentou tudo e reduziu as articulações a uma união via ONGs. Não
era uma articulação autônoma. Hoje começa haver um encontro cara-acara
de companheiros que se convidam, mas ainda avançaram pouco. Temos que
ir além dos fóruns, que foram importantes nos anos de 1990 para juntar 1990, rompendo as suscetibilidades de direções e de hegemonias,
mas muito débeis, frouxos em seus discursos. A tomada de ações vinculantes
não foi feita por nenhum dos fóruns. As pessoas retornavam para suas
casas para arrumar seus papéis e convocar outro fórum. Necessitamos
de uma estrutura bolchevique, que o MST tem, do movimento social. Isso
tem que vir deles, não dos governos. Ainda não se criou uma plataforma
continental dos movimentos sociais. Sei que isso é complexíssimo.
Digamos que nem no nível de países isso se dá, porque acontece em
momentos espetaculares. A pauta de nacionalizações, por exemplo, dá
lugar a revoluções. Mas precisamos desse esforço de nos olharmos
como continente, não somente acompanharmos as ações dos presidentes.
Quando há reunião da Alba, os movimentos sociais se reúnem e debatem
temas complementares aos dos presidentes, melhor ainda quando os temas
debatidos entre presidentes foram previamente discutidos com lideranças.
Mas é necessário ir além. 
 
É dificílimo, mas talvez seja hora de projetar uma Internacional continental
de movimentos sociais, uma estrutura como uma Internacional comunista,
mas de movimentos sociais, continental, e depois pensar em ir para o
mundo. Diante da possibilidade de que em algum país de nosso continente
a direita retome o governo, como eles não vão pautar uma mobilização?
Ao fim e ao cabo, se essa leva progressista for para trás, quem mais
sofrerá serão os movimentos. Eles estão obrigados a pensar continentalmente
e devem defender e empurrar mais para lá esses processos. O século
21 exige novos compromissos, maiores ações, e a melhor experiência
a ser resgatada está nas reflexões de Marx sobre a Primeira Internacional,
na qual se juntaram partidos, sindicatos, agremiações, marxistas,
anarquistas, socialistas… articulavam-se continentalmente com debilidade,
mas com firmeza e vinculação de suas decisões. É melhor do que a
Internacional leninista, e talvez a melhor referência para uma Internacional
hoje não seja bolchevique, mas a comunista de Marx em seu debate fascinante
com Bakunin [Mikhail Bakunin, um dos intelectuais fundadores do anarquismo].
Como se tomam as decisões? É pela autoridade moral das organizações,
dizia. Não se obriga a ninguém, mas todos estão comprometidos a cumprir
o que decidiram. Precisamos de um novo passo já nesta década: uma
internacional de movimentos sociais com maior capacidade de vinculação
em suas decisões, de mobilização desde os países e com uma agenda
comum debatida continentalmente por eles para defender esse processo, 
para controlá-lo e radicalizá-lo. 
 
Seria necessário um ponta de lança para isso? 
 
Modéstia à parte, creio que a Bolívia é a experiência mais avançada
de movimentos sociais. 
 
Mais do que o Brasil? 
 
Sim. É um país menor, evidentemente, com menos gente. Mas a eficácia
político-estatal do movimento é a mais radical no continente. 
 
Esta é a originalidade do processo boliviano? 
 
Acho que sim. Tudo isso aqui é movimento social.  
 
No Estado? 
 
No Estado, por fora do Estado, por baixo do Estado, por cima do Estado.
Esta é uma grande discussão, temos que fazê-la. Nos causou muito
dano o debate de John Holloway [do livro Mudar o mundo sem tomar
o poder] e Marcos del Rojo, não? Respeito os companheiros, mas
tenho profundas discordâncias. Tem que haver uma aliança de movimentos
sociais continentais fortes, que sejam os articuladores. Tem que haver
uns quatro, cinco ou seis que se lancem, de maneira muito respeitosa,
com democracia de base, e que articulem o debate com os demais, mas
alguém tem que dar o primeiro passo, e logo. 
 
Este seria o sujeito revolucionário na América Latina? 
 
García Linera - Imagem do Brasil de FatoO sujeito revolucionário é o que faz a revolução. Não há uma predestinação
para definir quem será, este foi o grande erro do debate ocioso da
esquerda, desde antes dos anos de 1950. Diziam “este é o que vai
fazer a revolução” e seguiam esperando que o sujeito se movesse,
mas ele estava em outra. Paranoico, não? O que está claro é que o
sujeito revolucionário vem do mundo do trabalho sob a forma de camponês,
de comunário, de indígena, de operário, de jovem, de intelectual,
de integrante de associações de bairros. Isso não contradiz as reflexões
de Marx, segue sendo o mundo do trabalho, que se complexificou infinitamente
frente ao que ele conheceu. 
 
Dependendo de qual desses espaços do mundo do trabalho assume maior
protagonismo, o processo tenderá a visualizar um aspecto em detrimento
de outros. Se é o mundo indígena e camponês, se visibilizará o tema
da terra, da biodiversidade, e não o salarial. Em seu momento voltará
a emergir o mundo do trabalho sob sua forma salarial, daqui a alguns
anos, porque estamos em um processo de reconstrução do mundo salarial
no continente e sua formação e estabilização vai requerer décadas.
Ou se é mais do tipo de bairro, se visualizará o tema de necessidades
básicas… mas são trabalhadores; como aconteceu em Cochabamba: quem
fez a Guerra da Água eram trabalhadores, mas não se moviam como sindicato
de trabalhadores, se moviam como moradores. Mover-se como trabalhador
implicava ser demitido da fábrica. Canalizaram sua expectativa de outra forma.  
 
Não há que esperar que o operário da fábrica se una em sindicato
para falar do protagonismo do mundo laboral. Ele se move de múltiplas
formas, veja os sem-terra. No caso do Brasil, está claro que, na medida
em que há uma recomposição da produção – o Brasil, agora, como
México, Filipinas, Coreia e outros seis ou sete lugares, é a oficina
de produção do mundo –, não haverá eficácia político-estatal
do movimento social sem protagonismo forte desse mundo assalariado.
Existe o Movimento Sem Terra, com linhas revolucionárias muito fortes
– o que é excelente –, que assume a aposta de manter a presença
da sociedade na construção de alternativas. Mas pensar um projeto
de radicalização aí é também pensar em seu mundo trabalhador. Se
o movimento operário não acompanhar o MST, daqui a uma década o que
ele vai poder fazer, frente à necessidade que requer semelhante potência
mundial, será pouco. 
 
E no caso da Bolívia? 
 
Aqui, esse mundo do trabalho tem como liderança o movimento camponês-indígena,
ainda que o país tenha tido alguns processos de assalariamento muito
interessantes. São trabalhadores, criadores de riquezas, que têm estruturas
locais associativas, formas de gestão comum da terra, trabalho individualizado,
vínculos parciais com o mercado, vínculos não de mercado; e têm
o protagonismo. Mas, aí no meio, estão também outros mundos laborais,
assalariados, não-assalariados, que se mobilizam, mas com menor intensidade
e maior dificuldade. Porém, se não conseguir avançar mais, será
porque o movimento operário ainda não conseguiu mobilizar-se. Se esse
mar de operários, daqui a cinco, dez ou 20 anos, não conseguir se
unificar com identidade e ação coletiva, o movimento atual encontrará
um limite. A chave serão esses dois braços, até que se reorganize
o movimento da classe trabalhadora, que se rearticule diante da recomposição
territorial da força de trabalho planetária. 
 
Porém, muito se fala sobre não ser possível entender o processo
boliviano com um olhar tradicional de esquerda, com uma formação ocidental.
Quais seriam essas limitações? 

 
Não devem se meter com assessores ou algumas ONGs que os assessoram,
aí está esse tipo de discurso que tem a ver com uma espécie de moda.
Na central de trabalhadores camponeses, nas comunidades ou no movimento
indígena em seus níveis intermediários e de base, não há esse debate
falso. Muitos dos que seguem essa linha ajudam muito com seu trabalho,
mas são parte de uma espécie de ressaca. Antes estavam envolvidos
com uma esquerda tradicional e aderiram recentemente ao mundo indígena,
o que os levou a radicalizar seus pontos de vista ostentosamente. 
 
Entende-se esse tipo de reação na medida em que, durante muito tempo,
a esquerda tradicional aqui desdenhou o movimento indígena, os acusou
de querer voltar a tempos arcaicos ou chamou-os de pequenos burgueses, resposta clássica dessa esquerda. Então, uma inteligência
indígena se formou nos anos de 1970, 1980 e 1990, como a figura de
Fausto Reinaga, em rechaço a essa leitura bem primitiva. Essa inteligência
se formou em batalhas contra a direita e também contra a esquerda,
que repetia processos de discriminação, que dizia que a revolução
era dos operários. Os camponeses eram a massa de apoio que levaria
os operários nos ombros. Em cima deles, iriam os intelectuais, não
era assim? Então, parte de uns convertidos recentes segue pensando
nisso. 
 
Agora, no governo, nos debates da federação de camponeses ou na dos
cocaleiros, há um processo rico dessa vertente camponesa-agrária-indígena
com um novo marxismo. Nós lutamos por isso por mais de 20 anos. Eu
briguei com todos os esquerdistas. Os primeiros textos que escrevi há
30 anos foram para brigar com trotskistas, stalinistas, maoístas, e
todos me qualificaram de revisionista, de ignorante. Buscávamos um
encontro entre marxismo e indianismo e acho que foi frutífero. Reivindico
minha vertente marxista, às vezes me reivindico indianista, ainda que
não seja indígena, e daí? 
 
Como se encontraram essas vertentes? 
 
O indianismo teve a grande virtude de denunciar a colonialidade do Estado
– e não poderia vir de outros que não eles –, mas era impotente
na questão do poder. Diziam “todos eram índios” e temos “que
indianizar o Estado”. Muito bem, e como se faria isso? O seu discurso
era denunciativo, mobilizador, mas somente isso. A vertente marxista
pautava o tema do poder, mas com suas incompreensões o fazia à margem
do movimento indígena, portanto, era um tema de elites. Assim, era
impossível definir uma estratégia discursiva e de alianças que permitisse
o acesso ao poder. Mas, no fim do século 20, indianismo e marxismo
se fundem. 
 
Essa é a originalidade do processo boliviano? 
 
Em termos de discurso e de criação teórica-intelectual, sim. Isso
permitiu criar um cenário de estratégia. Em termos de ação política,
é a grande mobilização de massas: sublevações, bloqueios, marchas,
levantamentos, insurreições. 
 
E esse discurso é muito distante do discurso que há
hoje? 

 
Não, de jeito nenhum. Vou contar o que aconteceu com o Evo quando iniciamos
o programa Juancito Pinto [que dá bolsa aos estudantes do ensino fundamental],
em 2006. Fomos entregá-lo no norte de Potosí [departamento no oeste
boliviano]. Um jovem do campo se aproximou e perguntamos: “Como está?
Em que série está?”. “Estou no terceiro básico, tenho oito anos”,
disse. “E o que você fez com o seu bônus?”, perguntamos. “Estou
guardando para me preparar para ser presidente como você”. Ah, por
favor… É a melhor resposta que poderia dar. Quando um indígena coloca
como possibilidade de vida ser governante, o tema do poder se converte
em um feito próprio, porque era uma questão de submissão! O poder
era de poucos brancos e formados, e agora um camponês do norte de Potosí,
a zona mais pobre do país, dizia “eu também posso ser presidente”.
Temos aí uma revolução cultural. 
 
Há um simbolismo forte aí, mas até
que ponto as bases realmente estão discutindo as transformações políticas?
Qual é a proximidade das bases e da intelectualidade? 

 
São espaços diferentes. Há o mundo da academia, que recebe para pensar
24 horas, e o mundo da vida laboral, associativa, sindical, do movimento
camponês. Espaços diferentes que possuem canais de comunicação e
distintas linguagens. No tema das alianças: a academia pode falar de
bloco de poder, pode usar Gramsci, enquanto do outro lado a discussão
é apoiar ou não os moradores desse bairro, se apoiamos ou não alguma
candidatura. É o mesmo tema verbalizado de distintas maneiras. As mesmas
preocupações da base são levadas para a academia e, na academia,
de tudo que se reflete, poucas coisas são debate nas bases.  
 
Mas existem momentos em que eles se aproximam mais, criando um espaço
de intervenção maior; e aí são os grandes ascensos. Quando a reflexão
dessa intelectualidade progressista é o debate das assembleias. Quando
o que surge em um jornal, em algum panfleto, em algum discurso rapidamente
é retomado pelos níveis dirigentes e levado à base. Esta é a dinâmica.
É impossível isso ser permanente, porque são espaços diferentes
no tempo e na forma de vida. Creio que em nenhuma parte isso se deu.
A imagem que temos dos sovietes e do Partido Bolchevique está um pouco
idealizada. O fato de que nas fábricas os operários liam Lênin não
é verdade. 
 
Pensar essa fusão do espaço intelectual com o movimento social é
impossível. Existem aí vasos comunicantes fluidos que levaram, inclusive,
o âmbito intelectual a mudar em dez anos. O que debatiam os intelectuais
antes? Governabilidade e coisas assim. Hoje debatem na universidade
pública, e até nas privadas, a nova Constituição. Mesmo os setores
conservadores têm que refletir sobre os fatos, têm que saber como
o Direito Penal vai estar vinculado com a Nova Constituição. Hoje
existem vasos comunicantes. Em certos momentos são rios comunicantes,
ou fusões parciais, e logo separações, como em qualquer processo
de transformação; outra vez por ondas. Nada é definitivo, perpétuo
ou já dado. A ideia de revolução permanente não é tão certa. Estes
oito anos intensos na Bolívia demonstram essa dinâmica de ondas que
falava Marx, mais do que o linear que nos dizia Trotski. 
 
Quem é…
 
Nascido em Cochabamba, em 1962,
Álvaro García Linera é formado em Matemática na Universidad Nacional
Autónoma de México (UNAM) e sociólogo autodidata. Ao regressar de
seus estudos, começa sua militância na Bolívia, vinculado
às Células Mineiras de Base, grupo que se funde aos Ayllus Rojos nas
atividades de propaganda e organização de comunidades do altiplano.
Posteriormente, ingressa no Exército Guerrilheiro Túpac Katari (EGTK)
– uma das poucas forças guerrilheiras propriamente indígenas da
América Latina –, onde é destacado para atuar com formação política
e pesquisa de comunidades indígenas. Em 1992,
é preso, acusado de sublevação e levantamento armado, ficando encarcerado
por cinco anos, tempo em que escreve uma de suas principais obras, o
livro Forma valor e forma comunidade. Ao ser libertado,
é convidado para ser professor do curso de Sociologia da Universidad
Mayor de San Andrés (UMSA), a universidade pública de La Paz. Em 2006,
assume a vice-presidência, ao lado do presidente Evo Morales, pelo
Movimento ao Socialismo (MAS)

 

“Aceitar a morte para ser livre”

Jovem Karajá iniciado na vida adulta vestindo adornos tradicionais. Arte: Winfield Coleman.
Jovem Karajá iniciado na vida adulta vestindo adornos tradicionais.
Arte: Winfield Coleman.

Conto de Leonardo
Boff, em história descrita pelos Karajá, da Ilha do Bananal


No
começo do mundo, quando foram criados pelo Ser supremo Kananciué, os Karajá
eram imortais. Viviam como peixes – aruanãs – e, desenvoltos, circulavam por
todo tipo de rios e águas. Não conheciam o sol e a lua, nem plantas e animais.
Mas viviam felizes, pois gozavam de perene vitalidade.

Estavam,
entretanto, sob uma tentação permanente: entrar ou não entrar pelo buraco
luminoso que havia no fundo do rio. O Criador lhes havia proibido
terminantemente que fizessem isto, sob pena de perderem a imortalidade.
Passeavam ao redor do buraco, admiravam a luz que dele saía, ressaltando ainda
mais as cores de suas escamas. Tentavam espiar para dentro, mas a luminosidade
impedia qualquer visão. Apesar disso, obedeciam fielmente.

Certo
dia, um Karajá afoito violou o tabu da interdição. Meteu-se pelo buraco
luminoso adentro e foi dar nas praias alvíssimas do rio Araguaia. Viu uma
paisagem deslumbrante. Encontrou um mundo totalmente diverso do seu. Havia um
céu de um azul muito profundo, com um sol irradiante, iluminando todas as
coisas e aquecendo agradavelmente a atmosfera. Aves coloridas, com seus
gorjeios, davam musicalidade ao ar. Animais dos mais diversos tamanhos e cores
circulavam pacificamente um ao lado do outro pelas campinas. Borboletas
ziguezagueavam por sobre flores perfumadas e florestas exuberantes eram
entremeadas por plantas carregadas de frutos.

Deslumbrado,
o índio Karajá ficou apreciando aquele paraíso terrestre até o entardecer. Quis
retornar, mas foi tomado por um outro cenário fascinante. Por detrás da verde
mata nascia uma lua de prata, clareando o perfil das montanhas ao longe. No
céu, uma miríade de estrelas o deixou boquiaberto, a ponto de se perguntar:

– O
que se esconde atrás daquelas casinhas todas iluminadas? Quem lhes acende a
luz, para brilharem com tanta força?

E
assim, embevecido, passou a noite até que comecou novamente a clarear e
desaparecer a lua. O sol, que parecia ter morrido na noite anterior, ressurgia,
glorioso, no horizonte distante.

Lembrando-se
de seus irmãos peixes, regressou com os olhos cheios de beleza, passando rápido
pelo buraco luminoso. Foi falar aos seus irmãos e irmãs, dizendo-lhes:


Meus parentes, passei pelo buraco luminoso e descobri um mundo que vocês sequer
podem imaginar. Contemplei com alegria no coracão o sol, a lua e as estrelas.
Vislumbrei com os olhos esbugalhados campinas floridas e infindáveis
borboletas. Apreciei animais de todos os tamanhos em florestas verdes e azuis.
As praias são alvíssimas e de areias finas. Temos que falar com nosso Criador,
Kananciué, para nos permitir morar naquele mundo.

Mesmo
sem entender aqueles nomes todos, os parente ficaram tão curioso que já queriam
imitar a coragem do irmão Karajá e, coletivamente, desobedecer, passando pelo
buraco proibido. Mas os anciãos sabiamente observaram:


Irmãos e irmãs, temos que respeitar nosso Criador, pois nos quer bem e nos fez
imortais como ele. Vamos conversar com ele e pedir-lhe as devidas permissões.

Todos,
sem nenhuma excecão, concordaram. Foram falar com seu Criador, Kananciué.
Expuseram as boas razões de seu pedido.

O
Criador, depois de ouví-los e, com certa tristeza na voz por causa da
desobediência do afoito Karajá, lhes respondeu:


Entendo que vocês queiram passar pelo buraco luminoso que os levará a mundo de
beleza, de cores variegadas, de diversidade de plantas, de flores, de frutos e
de animais. Contemplarão, sim, a majestade do céu estrelado, o esplendor do sol
e a suavidade da lua. Divertir-se-ão nas águas claras do Araguaia e rolarão de
alegria em suas praias alvíssimas. Mas eis que vos revelo o que vocês não sabem
e não vêem. Toda essa beleza é efêmera como a borboleta das águas, conhecida de
vocês, que nasce hoje e desaparece amanhã. Os seres de lá não tem a
imortalidade como vocês. Todos nascem, crescem, maduram, envelhecem e morrem.
Todos são mortais. Todos caminham para a morte…Irresistivelmente para a
morte. Vocês querem isso para vocês? Cabe a vocês decidirem.

Houve
um silêncio aterrador. Todos se entreolhavam. Todos se voltaram ao Karajá que
descobrira o mundo encantado, embora mortal. E tomados como que de fascínio
pela beleza daquele mundo, confirmada pelo Criador Kananciué em sua fala,
responderam:


Sim, Pai. Sim, queremos conhecer aquele mundo. Queremos morar naquele paraíso
dos mortais.

O
Criador ainda lhes falou pela última vez:


Aceito a decisão de vocês porque aprecio acima de tudo a liberdade. Mas saibam
que de hoje em diante serão mortais. Continuarão livres, não deixem jamais que
lhes roubem a liberdade, mas deverão morrer como todos os seres daquele mundo
radiante. Lembrem-se que trocaram o dom supremo da imortalidade pelo dom
precioso da liberdade. A história é de vocês.

E
todos os Karajá passaram entusiasmados pelo buraco luminoso do fundo do rio.
Chegaram ao mundo dos mortais, da beleza efêmera e das alegrias finitas. Vivem
ainda hoje naquele paraíso, às margens do Araguaia. Tiveram a inaudita coragem
de preferirem a mortalidade, para que pudessem nascer integralmente como seres
de liberdade, o que continuam sendo até os dias de hoje.

 


Para saber mais sobre Leonardo Boff

"Hoje nos encontramos numa fase nova na
humanidade. Todos estamos regressando à Casa Comum, à
Terra: os povos, as sociedades, as culturas e as religiões.
Todos trocamos experiências e valores. Todos nos enriquecemos
e nos completamos mutuamente. (…)


(…) Vamos rir, chorar e aprender. Aprender
especialmente como casar Céu e Terra, vale dizer, como combinar
o cotidiano com o surpreendente, a imanência opaca dos dias
com a transcendência radiosa do espírito, a vida na
plena liberdade com a morte simbolizada como um unir-se com os ancestrais,
a felicidade discreta nesse mundo com a grande promessa na eternidade.
E, ao final, teremos descoberto mil razões para viver mais
e melhor, todos juntos, como uma grande família, na mesma
Aldeia Comum, generosa e bela, o planeta Terra."

Casamento entre o céu e a terra. Salamandra,
Rio de Janeiro, 2001.pg09

 


Em uma conversa com o Augusto Pereira (amigo que vive no MT), identificamos nesse conto muitas referências cristãs e até uma aproximação com o "mito da caverna" de Platão. Ou seja, pensamos que essa história pode ser fruto de um sincretismo com alguma interferência/filtro (que não necessariamente é ruim…) do autor.

Não sei se fomos levados a pensar nisso de imediato por ser um texto do Leonardo Boff, teólogo e referência da teologia da libertação. O mais certo é que somente convivendo entre os próprios Karajá podemos realmente chegar a alguma referência real sobre a origem dessa história.

Independente dessa problematização, é um conto muito bonito onde a punição/premiação fica entre a vivência e o gosto da liberdade e da natureza como fonte plena de vida e a limitação dessa própria experiência, tendo estabelecido um limite claro – a mortalidade implacável. 

 

Verão Militante – Começar 2010 construindo!

Mochila

 

Janeirão chegou, 2009 bombástico
ficou pra trás e agora já é hora de intensificarmos nosso verão militante.

Várias atividades programadas pra
janeiro, pra começar o ano realmente com o pé esquerdo. Vamos lá:

 


 

Arruda SafadoFora Arruda, PO e demais trastes…

 

Dia: 11 de janeiro

Horário: 10h

Local: CLDF

 

Calendário completo e mais infos no Blog Fora Arruda e Toda Máfia.

Não vamos dar mole pra essa
burguesia folgada do DF que acha que pode fazer o que quer e quando quer!

Que se vayan todos!!

 


 
 

Fórum Social Mundial – 10 anos

De 23 a 29 de janeiro na Grande
Porto Alegre (na realidade vai ser descentralizado no mundo todo, mas no fim de
janeiro a grande concentração mesmo vai lá no Rio Grande do Sul).

 

Alguns destaques:

 

Acampamento Internacional da Juventude – Os Movimentos em Movimento

(23 a 29 de janeiro – Novo Hamburgo/RS)

 

AIJ - Poa

 


A proposta desse ano do
acampamento é estar mais integrado a comunidades que desenvolvem projetos
agroecológicos, integrando de forma mais efetiva campo e cidade. Por isso foi
escolhida uma área pública no bairro de Lomba Grande, que é uma localidade conhecida
por manter atividades de agricultura familiar orgânica.

A inscrição para o acampamento
custa R$ 20 pilas (justíssimo) e deve ser feita até o dia 05 de janeiro.
Confira como funciona o AIJ.

Obs.: A experiência que tive no último Acampamento da Juventude em Poa foi
importantíssima pra refletir sobre os processos, aplicação e vivência da
autogestão, proposta que deve ser levada muito a sério por tod@s que sonham com
um mundo outro que não este onde o capitalismo e o individualismo burguês são
hegemônicos.

 

Seminário Internacional dos 10 anos do FSM

Já estão confirmadas as mesas e alguns nomes de
palestrantes do Seminário Internacional “10 Anos depois: desafios e propostas
para um outro mundo possível”, que acontecerá dentro da programação do Fórum
Social 10 Anos Grande Porto Alegre, de 25 a 29 de janeiro. Entre os nomes estão
Boaventura de Souza Santos (Portugal), David Harvey (EUA), Francisco Whitaker
(Brasil), João Pedro Stédile (Brasil), Diana Senghor (Senegal), Immanuel
Wallerstein (EUA), Samir Amin (Egito), Christophe Aguitton (França) e Virgínia
Vargas (Peru).

As atividades do seminário acontecerão sempre pela
manhã, na Usina do Gasômetro, armazéns 6 e 7, do Cais do Porto e Assembleia
Legislativa. Ainda em Porto Alegre acontece o Seminário Mundo do
Trabalho, o Fórum Mundial de Juízes e os espaços da Economia Solidária.

Obs.: Não é muito necessário (mas falo mesmo assim) dizer que
precisamos dar uma “anarquizada” (no sentido construtivo, claro) nestes espaços
de análise, que vão contar com muitos compas importantes nestes anos de luta
desde a realização do primeiro fórum (mesmo que suas metodologias e propostas
de ação sejam diferentes das nossas, suas contribuições merecem nosso
respeito). E pra quem acha que é um espaço que não deve contar com prestígio e
participação d@s libertári@s, recomendo a participação no VIII ELAOPA no
Uruguai.


 

Plenária da Marcha Mundial das Mulheres em Gravataí

O
município de Gravataí recebe no dia 27
de janeiro
atividade da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) dentro da
programação do Fórum Social Mundial 10 Anos – Grande Porto Alegre. Entre as
presenças já confirmadas, a representante da coordenação nacional da MMM, Nalu
Farias, e do Comitê Internacional da Marcha (África do Sul), Wilhelmina Trout.

 

A plenária será realizada na Câmara de
Vereadores, a partir das 14 horas, e visa a organização da III Ação
Internacional da MMM, chamada Ação 2010. Às 18 horas as participantes da
plenária saem em caminhada pela cidade. O roteiro ainda será definido.

A
MMM é uma ação do movimento feminista internacional de luta contra a pobreza e
a violência sexista. Sua primeira etapa foi uma campanha entre 8 de março e 17
de outubro de 2000. Aderiram à Marcha 6000 grupos de 159 países e territórios.
As manifestações de encerramento desta primeira fase da Marcha no dia 17 de
outubro de 2000 mobilizaram milhares de mulheres em todo o mundo, nesta ocasião
foi entregue a ONU um abaixo assinado com cerca de 5 milhões de assinaturas em
apoio às reivindicações da Marcha. Mais informações no blog: www.mmm-rs.blogspot.com.

 

Partido Pirata – Propostas de atividades FSM-2010

Vão promover desconferências e outras atividades como oficinas e exibição de filmes no Espaço Conhecimentos Livres no Acampamento Internacional da Juventude.

Desconferências

– Copyright e direitos Civis. Proposta de eixos: O papel
histórico dos direitos autorais e o século XXI; ACTA e a nova ordem
mundial; os movimentos sociais de libertação da cultura e os partidos
piratas; reforma dos direitos autorais.

– Neutralidade da Internet Propostas de eixos: A tutela
legal de logs; Anonimato na internet; O papel social da Internet; Marco
civil da Internet; Lei Azeredo.

– Patentes e monopólios sobre a Ciência Propostas de
eixos: Monopólios sobre a vida, genes e sementes; Patentes e o
desenvolvimento tecnológico dos "países em desenvolvimento"; Patentes e
Universidade Pública; Patentes farmacêuticas.

 


 

VIII Encontro Latino-Americano de Organizações Populares Autônomas
(ELAOPA).


13 a 15 de fevereiro – Sindicato
de Artes Gráficas (Lagomar) / Uruguai


Informações no Site do Encontro
(em espanhol): VIII ELAOPA


No dia 16 de janeiro vai rolar um
Pré-ELAOPA em Porto Alegre.

 


 

Me desculpem se as infos não estão muito aprofundadas,
apenas tentei sintetizar um pouco o que vem por aí nesse começo de ano.
Contribuam nos comentários!

 

Dois vídeos que produzi em 2009

 
Este vídeo foi realizado com os compas do Vida Seca em parceria com Lemos e Elisa (Digital5), a Mito Produções, Mary Baleeiro e o coletivo que faço parte – Motirõ. Fez parte da seleção de vídeos que concorreram na categoria curtas do Festcine Goiânia 2009.
 
É Som de Sucata em Goiânia! Saudações aos Veranos, Roqueto, Zargov e Conan (parceiros que sempre trampamos juntos). 
 
 

 

 
 

 
Este foi realizado com os compas do Santuário dos Pajés em Brasília, no Toré do Milho – abril de 2009.
 
A Terra Indígena Bananal (como também é conhecido o Santuário) segue ameaçada pela especulação imobiliária no Distrito Federal. Por cima de um dos últimos enclaves de Cerrado preservado de Brasília, pretendem levantar prédios e moradias de luxo (ainda sob a cínica propaganda desse ser um projeto de bairro ecológico). 

 

O vídeo apresenta entrevistas com Frederico Magalhães (Assessor Legislativo da
Funai), Vladimir Carvalho (Cineasta), Cristovam Buarque (Senador pelo
DF), Frederico Flósculo (Professor de Arquitetura da UNB), Danilo de
Almeida (Defensoria Pública da União), Ana Tikuna, Korubo e Pajé
Santxiê Tapuya.
 
 
 
 
Convido à observação atenta à linda voz e força do índio Towê Fulniô (é uma pessoa maravilhosa… esse ano de 2009 teve sua casa queimada em uma ação criminosa).
 
Ficam aqui também os créditos para os compas Eduardo Garcês e André Duarte (dois cabras ponta firme!).
 

Que crie e brilhe o Caos…

 

Supernova - Wikipedia

como uma supernova
um arroubo de criatividade
produz luz suficiente para germinar vida
durante instantes intensos
inebriantes, perfeitos em seus suspiros caóticos
pra depois se dissipar em um extenso adeus orgásmico
satisfeito em partir após colorir o cosmos
e nossos dias indiferentes…